24º Curso de Jornalismo em Guerra e Violência Armada chega ao fim
O módulo do Projeto Repórter do Futuro voltado para cobertura humanitária recebeu seis convidados, entre profissionais da imprensa e do direito, que conversaram com os 50 selecionados sobre jornalismo de cobertura humanitária e a atuação do CICV no Brasil e no mundo.
Por Thaís Manhães
No último sábado, 18, a sessão de avaliação e encerramento fechou o ciclo dos cinco encontros do 24º Curso de Jornalismo em Guerra e Violência Armada. Ao longo do curso, os estudantes de diferentes estados brasileiros acompanharam seis painéis com jornalistas e também profissionais do CICV que atuam no escopo do Direito Internacional Humanitário (DIH).
Este módulo do Projeto Repórter do Futuro é resultado de uma parceria de 24 anos entre a OBORÉ Projetos Especiais e a Delegação Regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o Brasil. O ciclo de formação recebe ainda o apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão de Políticas Públicas (IPFD).

Encontro aos sábados está entre um dos principais pontos positivos destacados pelos estudantes. Segundo eles, este dia da semana possibilita o acesso de maior parte dos graduandos, que muitas vezes conciliam trabalho e estudo.
“O curso é tão bom, que eu queria mais aulas, mais coletivas, mais áreas do jornalismo… se dissessem assim: ‘ó, nós temos mais três aulas’, eu estaria vibrando, bah, coisa boa”, disse Jorge Luís Leão Machado, aluno da Universidade Católica Paulista, durante o balanço neste último sábado.
O curso gratuito e online recebeu 470 inscrições para preencher as 50 vagas disponíveis. O processo seletivo, realizado entre agosto e setembro deste ano, atraiu estudantes de jornalismo de 143 universidades dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.
Estar cursando ou ter concluído recentemente a graduação em jornalismo foram os pré-requisitos para inscrição. A seleção foi dividida em duas etapas: na primeira os interessados preencheram uma ficha de inscrição online; na segunda, participaram de uma Aula Magna com Philippe Frison, então chefe de Operações da Delegação Regional para Argentina, Brasi, Chile, Paraguai e Uruguai, sediada em Brasília (DF).
O texto jornalístico produzido após a atividade, somado ao perfil dos inscritos coletado no ato da inscrição, foi avaliado pela banca de organizadores do curso. Os nomes a compor a 24ª turma foram divulgados em 23 de setembro. Veja aqui o perfil dos selecionados.
A palestra inaugural e as aulas do curso aconteceram aos sábados, entre setembro e outubro, totalizando 20 horas de complementação universitária, e foram conduzidas pelo jornalista Aldo Quiroga, editor-chefe da TV Cultura.
Uma marca dos módulos oferecidos pelo Projeto Repórter do Futuro é a estrutura. Os encontros são pensados a fim de preparar os estudantes para uma atuação prática no jornalismo. O primeiro momento é a conferência de imprensa, quando o convidado tem cerca de uma hora para explorar assuntos relacionados à sua área de atuação.
Na sequência, o convidado sai da sala, e Aldo conduz uma conversa com os estudantes, compartilhando dicas sobre entrevista, relação com a fonte, dentre outras orientações valiosas por um grande jornalista experiente. Depois, o convidado retorna e começa a entrevista coletiva. Ao final de cada aula, os estudantes precisavam enviar um texto no prazo de três dias para a equipe organizadora do curso.
“Uma coisa que eu acho que foi legal é a proposta de termos palestra e depois uma coletiva. É um exercício muito interessante, e é feito num ambiente em que a gente se sente muito confortável de tentar. É um ambiente de tentativas e erros”, disse a estudante Débora Van Pütten, da Universidade de São Paulo, ressaltando esta como uma das grandes vantagens do curso.
Ao longo desta edição, os selecionados experienciaram seis painéis com fontes hiper-especializadas. Cada um abordou diferentes temas relacionados à atuação do CICV no Brasil e no mundo, e encorajaram, sobretudo, a cobertura humanizada de conflitos, colocando as pessoas afetadas no centro da narrativa, em vez das figuras de poder.
“Quando a gente faz essa outra cobertura, mostrando as consequências das decisões palacianas, a gente consegue complementar com uma questão super importante. Para os dois tipos de cobertura, a gente precisa saber o que o Direito Internacional Humanitário (DIH) determina. Então, saber todo esse conteúdo [ao longo do curso] vai certamente influenciar a sua escrita, a sua forma de olhar para o problema e reportá-lo”, disse o editor-chefe da TV Cultura.
Confira como foram os encontros:
Aula Magna com Phelippe Frison